quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Paciência de Jó?



"Nu saí do ventre de minha mãe, nu voltarei. O Senhor deu, o Senhor tirou: bendito seja o nome do Senhor!" Jó 1:21

Tal citação é usada aos montes por pessoas que experimentaram ou experimentam adversidades, não raras vezes relacionadas as perdas materiais. Aos mais espirituosos, é comum atribuir às deidades os infortúnios que lhes afetam e resistir bravamente é sinal de nobreza espiritual porque "o ouro é provado no fogo".

Ultimamente tive a oportunidade de ler algumas obras magníficas, a exemplo de Mensagem de Deus Para Você e As Mentiras que nos Contaram Sobre Deus, que abriram a minha mente e me permitiram reavaliar algumas afirmações, sejam elas religiosas ou aquelas repetidas à exaustão em palestras motivacionais e/ou livros de autoajuda, que fazem toda diferença para uma vida mais leve e, se não prazerosa, com menos sofrimento.

Paciência, do latim pati, significa sofrer. Em Ganhar Dinheiro Não é Pecado, o autor diz que "a paciência denota a capacidade de sofrer e passar por aflições, sem se queixar". Sendo assim, não há dúvidas quanto a fidelidade de (Jó 1:1), uma vez que não amaldiçoou a Deus como sugeriu a sua esposa (Jó 2:9), mas passou longe de ser de todo paciente, senão vejamos alguns exemplos:

  1. Amaldiçoou o dia do seu nascimento; Jó 3:1
  2. Acreditou que estava sendo castigado por Deus; Jó 6:4
  3. Queixou-se dos seus irmãos; Jó 6:15

Diante das adversidades, é comum também nos esquecermos o quanto Deus já fez por nós. Antes de passar por quatro desgraças, uma após a outra, Jó era conhecido como o homem mais rico do Oriente.

Longe de mim querer criticar a Jó, tampouco os diletos defensores da tese de que foi o homem mais paciente que já existiu, mas demonstrar que, como qualquer outro ser humano, "sujeito às mesmas paixões que nós", precipitou-se em murmurar, assim como nós invariavelmente fazemos.

Outro personagem bíblico que achou que estava só em meio às lutas foi Elias. Conhecido por ser um grande profeta e realizador de grandes prodígios, ele orou fervorosamente, rogando para que não chovesse, e não choveu sobre a terra durante três anos e meio (Tiago 5:17).

Em outra ocasião, por meio da sua oração, fez cair fogo do céu (1 Reis 18:36-38). Contudo, diante da ameaça de uma mulher, fugiu com medo e se escondeu em uma caverna achando que estava tudo perdido, desconhecendo o fato de que outros cem profetas estavam sendo mantidos sãos e salvos por Obadias (1 Reis 18:4).

Jó tornou-se próspero quando parou de falar, ouviu a voz de Deus e orou pelos amigos que lhe acusaram de estar em pecado. Elias, após ouvir a voz de Deus, deixou a caverna, encontrou Eliseu e seguiram juntos até que fosse levado aos céus num redemoinho.

Importante destacar que tanto no caso de Jó como no de Elias Deus não foi o causador das aflições. Deus é um Pai de amor e de prosperidade. Deu a Jó em dobro tudo o que tinha antes (Jó 42:10). Deu a Eliseu porção dobrada do espírito de Elias (2 Reis 2:9).

Repetir exaustivamente "Deus deu, Deus tirou", além de ser injusto para com Deus, não tem respaldo bíblico, uma vez que o responsável pelas mazelas de Jó foi Satanás, ainda que com o conhecimento de Deus.


Deus é um Pai de amor e de prosperidade. Deu a Jó em dobro tudo o que tinha antes. Deu a Eliseu porção dobrada do espírito de Elias.


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