quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Paciência de Jó?



"Nu saí do ventre de minha mãe, nu voltarei. O Senhor deu, o Senhor tirou: bendito seja o nome do Senhor!" Jó 1:21

Tal citação é usada aos montes por pessoas que experimentaram ou experimentam adversidades, não raras vezes relacionadas as perdas materiais. Aos mais espirituosos, é comum atribuir às deidades os infortúnios que lhes afetam e resistir bravamente é sinal de nobreza espiritual porque "o ouro é provado no fogo".

Ultimamente tive a oportunidade de ler algumas obras magníficas, a exemplo de Mensagem de Deus Para Você e As Mentiras que nos Contaram Sobre Deus, que abriram a minha mente e me permitiram reavaliar algumas afirmações, sejam elas religiosas ou aquelas repetidas à exaustão em palestras motivacionais e/ou livros de autoajuda, que fazem toda diferença para uma vida mais leve e, se não prazerosa, com menos sofrimento.

Paciência, do latim pati, significa sofrer. Em Ganhar Dinheiro Não é Pecado, o autor diz que "a paciência denota a capacidade de sofrer e passar por aflições, sem se queixar". Sendo assim, não há dúvidas quanto a fidelidade de (Jó 1:1), uma vez que não amaldiçoou a Deus como sugeriu a sua esposa (Jó 2:9), mas passou longe de ser de todo paciente, senão vejamos alguns exemplos:

  1. Amaldiçoou o dia do seu nascimento; Jó 3:1
  2. Acreditou que estava sendo castigado por Deus; Jó 6:4
  3. Queixou-se dos seus irmãos; Jó 6:15

Diante das adversidades, é comum também nos esquecermos o quanto Deus já fez por nós. Antes de passar por quatro desgraças, uma após a outra, Jó era conhecido como o homem mais rico do Oriente.

Longe de mim querer criticar a Jó, tampouco os diletos defensores da tese de que foi o homem mais paciente que já existiu, mas demonstrar que, como qualquer outro ser humano, "sujeito às mesmas paixões que nós", precipitou-se em murmurar, assim como nós invariavelmente fazemos.

Outro personagem bíblico que achou que estava só em meio às lutas foi Elias. Conhecido por ser um grande profeta e realizador de grandes prodígios, ele orou fervorosamente, rogando para que não chovesse, e não choveu sobre a terra durante três anos e meio (Tiago 5:17).

Em outra ocasião, por meio da sua oração, fez cair fogo do céu (1 Reis 18:36-38). Contudo, diante da ameaça de uma mulher, fugiu com medo e se escondeu em uma caverna achando que estava tudo perdido, desconhecendo o fato de que outros cem profetas estavam sendo mantidos sãos e salvos por Obadias (1 Reis 18:4).

Jó tornou-se próspero quando parou de falar, ouviu a voz de Deus e orou pelos amigos que lhe acusaram de estar em pecado. Elias, após ouvir a voz de Deus, deixou a caverna, encontrou Eliseu e seguiram juntos até que fosse levado aos céus num redemoinho.

Importante destacar que tanto no caso de Jó como no de Elias Deus não foi o causador das aflições. Deus é um Pai de amor e de prosperidade. Deu a Jó em dobro tudo o que tinha antes (Jó 42:10). Deu a Eliseu porção dobrada do espírito de Elias (2 Reis 2:9).

Repetir exaustivamente "Deus deu, Deus tirou", além de ser injusto para com Deus, não tem respaldo bíblico, uma vez que o responsável pelas mazelas de Jó foi Satanás, ainda que com o conhecimento de Deus.


Deus é um Pai de amor e de prosperidade. Deu a Jó em dobro tudo o que tinha antes. Deu a Eliseu porção dobrada do espírito de Elias.


sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Economia compartilhada deixa 89% de seus usuários satisfeitos, revela estudo da CNDL/SPC Brasil

87% dos brasileiros acham que consumo colaborativo vem ganhando espaço no dia a dia das pessoas. Poupar dinheiro é a principal vantagem, mas falta de confiança nas pessoas é barreira para 51%. Carona, aluguel para temporadas e compartilhamento de roupas são práticas mais usuais


Imagem Ilustrativa
Economia compartilhada deixa 89% de seus usuários satisfeitos, revela estudo da CNDL/SPC Brasil
Novos modelos de negócios em que a experiência de consumo vale mais do que a propriedade sobre um determinado bem. Essa é a lógica da economia compartilhada, também conhecida como ‘Consumo Colaborativo’. Um levantamento feito em todas as capitais pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) revela que 89% dos brasileiros que já experimentaram alguma modalidade de consumo colaborativo ficaram satisfeitos após a experiência vivenciada. Apenas 2% dos entrevistados ficaram insatisfeitos, enquanto 9% estão indiferentes.

De modo geral, em cada dez consumidores brasileiros, nove (87%) acreditam que a economia compartilhada é uma prática que vem ganhando mais espaço na vida das pessoas e 68% creem que, em até dois anos, podem incorporar esta nova forma de consumir no seu dia a dia. Além disso, para 81% das pessoas, a economia colaborativa torna a vida mais fácil e funcional e 71% acham que possuir muitas coisas em casa mais atrapalha do que ajuda.

Na avaliação do educador financeiro do portal ‘Meu Bolso Feliz’, José Vignoli, a economia compartilhada nasce da necessidade de tornar acessível aos consumidores os benefícios de determinados produtos ou serviços, sem que, necessariamente, eles se tornem proprietários sobre aquilo que consomem.
 
Caronas, aluguel para temporadas e compartilhamento de roupas são práticas colaborativas mais adotadas; internet é principal meio para unir consumidores

De acordo com o levantamento, as modalidades de consumo colaborativo mais utilizadas pelos brasileiros são as caronas para locais como trabalho, faculdades e viagens (41%), aluguel de casas ou apartamentos de terceiros para pequenas temporadas (38%) e aluguel ou compartilhamento de roupas (33%). Outras atividades já utilizadas são as bicicletas compartilhadas em vias públicas (21%), financiamentos coletivos (16%), compartilhamento de espaço de trabalho, como coworking (15%), aluguel de brinquedos (15%) e compartilhamento de moradias, também conhecido como república ou cohousing (15%).

A CNDL e o SPC Brasil também procuraram descobrir quais são os tipos de economia compartilhada que os brasileiros nunca experimentaram, mas conhecem e estão propensos a vivenciar. Nesse caso, o aluguel de bicicletas (48%) e o compartilhamento de espaço de trabalho (47%) ocuparam as primeiras colocações. Por outro lado, ainda há modelos de negócios colaborativos pouco conhecidos, mas que já demonstram alguma rejeição por parte do público, como o aluguel de itens para casa e utensílios da cozinha (15%) e o compartilhamento de moradias (14%).

A pesquisa demonstra que embora a revenda, troca e aluguel já existissem há tempos, as novas tecnologias impulsionaram as práticas existentes e viabilizaram o surgimento de novas. Exemplo disso, é que a maioria das modalidades de consumo compartilhado foram conhecidas pela internet, especialmente os financiamentos coletivos (43%), aluguel de itens esportivos (43%) e compartilhamento do espaço de trabalho (43%). Entre a recomendação de amigos ou conhecidos, se destacam as modalidades de caronas (47%), aluguel de casas para temporadas curtas (36%) e aluguel ou compartilhamento de roupas (33%). Nas redes sociais, as modalidades de aluguel ou troca de brinquedo (31%), compartilhamento do local de moradia (31%) e hospedagem de animais de estimação (29%) ganham força.
 
Para 61% dos usuários, consumo colaborativo foi estratégia para economizar; 88% acham que quantia poupada é significativa

Outra constatação do estudo é que a maioria dos entrevistados enxerga a economia compartilhada como um meio capaz de ajudar a lidar melhor com as próprias finanças. Desse modo, economizar dinheiro foi a principal finalidade daqueles que se utilizaram de algum tipo de consumo colaborativo, com 61% de menções. Outras motivações foram contribuir para a sustentabilidade do meio ambiente (39%), ajudar terceiros (30%), economizar tempo (26%) e até mesmo conhecer outras pessoas (21%). Há ainda 11% de entrevistados que resolveram adotar práticas de consumo colaborativo para ganhar renda extra e 10% que foram influenciadas por conhecidos.

No geral, para 88% dos entrevistados, a economia proporcionada pelo consumo colaborativo é significativa para o bolso. Apenas 9% afirmam que ela é pequena ou irrelevante. Sobre esse assunto, as modalidades com melhor nota de avaliação dos entrevistados sobre os aspectos da economia de dinheiro, comodidade e facilitar a vida das pessoas são as caronas (7,85), o aluguel de casas para curtas temporadas (7,84) e o aluguel de bicicletas (7,66). As que obtiveram notas menores são o compartilhamento do local de moradia (6,74) e o aluguel de itens da casa, eletrônicos e ferramentas (6,55).
 
Para 51%, falta de confiança nas pessoas é principal entrave para economia compartilhada

O crescimento do consumo colaborativo no Brasil, contudo, ainda enfrenta barreiras. De acordo com a pesquisa, ainda há caminho a percorrer para tornar essas relações de consumo mais transparentes e confiáveis. Na opinião dos entrevistados, as principais barreiras para a economia compartilhada estão ligadas ao desconhecimento sobre quem está do outro lado. Mais da metade (51%) das pessoas ouvidas relataram a falta de confiança nas pessoas e o medo de ‘serem passados para trás’ e 43% falaram do perigo de lidar com estranhos. Outros temores são a falta de garantias no caso de não cumprimento do acordo (42%), falta de informação (37%) e desconfiança com relação a qualidade daquilo que está sendo dividido (30%).
 
Metodologia

A pesquisa ouviu 824 consumidores acima de 18 anos, de ambos os gêneros, de todas as classes sociais e que residem nas 27 capitais do país. A margem de erro é de no máximo 3,4 pontos a um intervalo de confiança de 95%. 

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Bookshare foi notícia na Rede Globo

Consumo Colaborativo


No futuro, palavras como "consumo" e "compra" serão substituídas por "compartilhamento" e "troca". É uma tendência irreversível. No livro Mesh - Por que o Futuro dos Negócios é Compartilhar, de Lisa Gansky, a autora defende a tese de que a colaboração entre empreendedores, fornecedores e consumidores irá definir o futuro da economia. Projeções da consultoria PwC mostram que a economia compartilhada deverá movimentar mundialmente US$ 335 bilhões em 2025 — 20 vezes mais do que se apurou em 2014, quando o setor movimentou US$ 15 bilhões.

No dia 05/05/2018, a plataforma de compartilhamento de livros físicos www.bookshare.com.br, que tem como principal objetivo despertar o interesse pela leitura e estimular o networking entre aqueles que têm prazer na leitura, foi um dos sites citados no programa Como Será?, da Rede Globo, em uma reportagem especial cujo assunto foi "Economia Compartilhada ganha força com as tecnologias digitais". Bookshare é mencionado a partir do minuto 11.  

O que faz: 

O Bookshare é um portal interativo e amigável que vai revolucionar a maneira pela qual o conhecimento é compartilhamento, com a reunião dos livros em um único lugar. Por meio dele será possível cadastrar o seu acervo, emprestar para amigos e parentes, além de dar notas e comentar os livros.

Que problema resolve: 

Os amantes da leitura têm ciúmes dos seus livros. Todos já tiveram ou terão pelo menos uma experiência de emprestar os seus livros e não tê-los de volta ou recebê-los com avarias. Diante disso, muitos preferem não emprestar a enfrentar o constrangimento de cobrar o livro não entregue ou danificado, geralmente por um amigo ou familiar.

O que o torna especial: 

O Bookshare fará uso da tecnologia sem alterar a essência, que é sentir o prazer de folhear cada página de um livro. Além disso, acreditamos que estamos dando um passo importante na consciência do consumo colaborativo, bem como possibilitando o acesso de pessoas que não têm condições para comprar os livros, uma vez que vivemos num ciclo vicioso de "no Brasil se lê pouco porque o livro é caro e o livro é caro porque se lê pouco".

Como fazer parte:

Para participar é muito fácil: basta acessar o site www.bookshare.com.br, fazer o seu cadastro utilizando as credenciais do Twitter, Facebook ou Google+ ou, ainda, criando uma conta informando e-mail e senha (lembrar de confirmar o cadastro clicando no link enviado para o e-mail informado).

Em seguida, basta atualizar o perfil informando dados como nome completo, país, estado e cidade e cadastrar seus livros. A partir daí, você estará pronto(a) para emprestar e pedir livros emprestados. É de graça.

Você pode inclusive convidar seus amigos para fazer parte, informando o e-mail deles na opção "Convidar amigos", dentro do seu perfil. 

Dúvidas e/ou sugestões, entre em contato: contato@bookshare.com.br ou por meio do WhatsApp: 41988661275.


*Créditos da imagem: Portal vereador Paulo Câmara.



sábado, 12 de agosto de 2017

Você pode permanecer na casa do Pai, mas não necessariamente estar com Ele


Parece contraditório? Deixe-me explicar. Recentemente li um livro chamado "O Deus Pródigo", de Timothy Keller que, em conjunto com "Por que você não quer mais ir à igreja", de Wayne Jacobsen e Dave Coleman, além de "O Dom Supremo", de Henry Drummond, contribuíram para o meu entendimento sobre a Bíblia e, sobretudo, sobre o verdadeiro amor de Deus.

Abaixo, farei um breve resumo dos principais pontos de cada obra.
      "Eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância." João 10:10b                   
Mas muitos cristãos, a despeito do tempo de fé e de serem tão ativos na igreja, se sentem vazios. As suas experiências espirituais dão importância às coisas erradas e acabam sendo afastados da verdadeira vida, como aconteceu na igreja de Éfeso. A teologia daquela da igreja de Éfeso era impecável. Conheciam a verdade com tal precisão que eram capazes de identificar o erro como uma mosca na tigela. Mas Jesus não estava satisfeito com ela. Por quê? Tinham abandonado o amor inicial.

Na verdade, a missão de Jesus sempre foi nos convidar para o amor, para a relação com Deus Pai. Mas o que fizemos? Transformamos a mensagem fundamental de amor em uma instituição, em poder, em trabalho, em culpa, em conformismo e manipulação.

Quando o Cristianismo surgiu no mundo, não era considerada religião. Os primeiros cristãos foram considerados ateus porque não tinham templo, não havia sacerdotes, tampouco sacrifícios. Jesus em pessoa era o templo que colocaria fim a todos os templos, o sacerdote que findaria todos os sacerdotes, e o sacrifício que substituiria todos os sacrifícios. Para os seguidores de Jesus isto era maravilhoso, porque não precisariam pensar num Deus que estaria encerrado no recesso do templo e apenas disponível para pessoas especiais em ocasiões especiais.

Existem mais de 30.000 denominações cristãs no mundo. Mas de que lado Jesus está? Na trilogia O senhor dos anéis os hobbits perguntam ao ancião Barbárvore de que lado ele está e ouvem esta resposta: "Não estou totalmente do lado de ninguém, porque ninguém está totalmente do meu lado (...) E há algumas coisas, é claro, de cujo lado eu absolutamente não estou."

O plano de Deus sempre foi pensado para trazer as pessoas à relação de amor que o Pai, o Filho e o Espírito Santo têm compartilhado ao longo da eternidade. Os ensinamentos de Jesus atraíam as pessoas não religiosas enquanto ofendiam as pessoas que criam na Bíblia, os religiosos da época. Os tipos de excluídos que Jesus atraía não são atraídos pelas igrejas contemporâneas, mesmo as mais progressistas.

Ora, se as pregações dos ministros não têm o mesmo efeito sobre as pessoas que jesus tinha, então provavelmente não estão proclamando a mesma mensagem de Jesus. É possível alguém  se concentrar de tal maneira no trabalho para Jesus que acaba perdendo de vista quem ele realmente é.

"Um homem tinha dois filhos..." Assim Jesus dá início a uma das mais conhecidas parábolas do Cristianismo. O mais curioso é que em todas as mensagens que ouvi tendo como base Lucas 15:11-32, o foco se dá no filho mais novo que exigiu a sua parte na herança, estando o pai ainda vivo. O filho mais novo partiu para uma terra longínqua e lá desperdiçou tudo o que tinha. Depois caiu em si, se arrependeu, retornou à casa do pai e foi recebido com festa. O irmão mais velho ficou tão irado que não quis participar do banquete. O texto termina assim: "E ele lhe disse: Filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas. Mas era justo alegrarmo-nos e regozijarmo-nos, porque este teu irmão estava morto e reviveu; tinha-se perdido e foi achado."

Mas por que Jesus termina a história desta forma? É porque o verdadeiro público dessa história eram os fariseus, os irmãos mais velhos. Ele redefine o pecado, o que significa estar perdido e o que significa estar salvo.

Jesus usa o filho mais novo e o mais velho para retratar dois caminhos básicos pelos quais as pessoas tentam encontrar a felicidade e a realização: o caminho da conformidade moral e o caminho do autoconhecimento. Ambos são maneiras que usamos para encontrar nosso valor e nosso significado, para lidar com os males do mundo e para separar o certo do errado.

O filho mais velho ilustra o caminho da conformidade moral. Segundo esse ponto de vista, só conseguimos ser bem-sucedidos na felicidade, e o mundo conseguirá ser feito correto por meio da retidão moral. Mesmo ao falhar, devemos tentar manter a dignidade.

O filho mais novo ilustra o caminho do autoconhecimento. Esse paradigma sustenta que as pessoas devem ser livres para perseguir seus próprios conhecimentos e para buscar a autorrealização, independentemente dos costumes e das convenções. Segundo esse ponto de vista, o mundo seria um lugar muito melhor se a tradição, o preconceito, a autoridade hierárquica e outras barreiras à liberdade pessoal fossem diminuídas ou removidas.

No entanto, a mensagem da parábola de Jesus é que ambas as abordagens estão erradas porque os dois filhos estão perdidos. Na verdade, alguém poderia dizer que existe até uma certa incongruência na parábola, uma vez que o filho mau participa do banquete do pai, mas o filho bom não o acompanha. Ou seja, o amante das meretrizes é salvo, mas o homem da retidão moral continua perdido.

Tristemente, não são os pecados que criam a barreira entre ele e o pai, mas o orgulho que sente do seu histórico moral; não são as transgressões, mas sua retidão que o impede de partilhar o banquete do pai. A obediência zelosa à lei de Deus pode servir como meio de rebeldia contra Deus.

O filho mais novo, arrependido, chegou ao pai até com um discurso ensaiado: "Pai, pequei contra o céu e perante ti. Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus trabalhadores." Entretanto,  não é o arrependimento que causa o amor do pai, mas o contrário. A afeição gratuita do pai torna a expressão do remorso do filho ainda mais fácil.

Não há mal que o amor do pai não possa perdoar e compensar, não há pecado que seja páreo para a graça dEle. O amor e o acolhimento do Pai são absolutamente gratuitos. 

É por isso que a morte de Jesus é tão ameaçadora para quem foi criado com a ideia da obrigação religiosa. Se você não aguenta mais as regras e entende que elas não são capazes de abrir as portas para a relação que seu coração anseia, a cruz é a maior de todas as novidades.

Já o filho mais velho, por observar todas as leis morais, acreditava que tinha direitos. Ele não acreditava que podia ser amado sem fazer nada para merecer isso.

Não é raro incorrermos no mesmo erro. Esquivarmo-nos de Jesus como o Salvador ao observar todas as leis morais. Quando seguimos tal caminho, entendemos que temos "direitos". Deus deve a nós a resposta às nossas orações, e uma boa vida, e um ingresso para o céu quando morrermos. Não precisamos de um Salvador que nos perdoe por meio da livre graça, porque somos o nosso próprio Salvador.

Tendemos a pensar nossas vidas como uma escolha entre fazer o mal e fazer o bem. O Apóstolo Paulo via dois modos distintos de exercer o bem:  um nos faz dar duro para nos submetermos às leis de Deus. E falha sempre. Mesmo quando se descrevia como um seguidor de todas as leis de Deus externamente, ele também se considerava o mais terrível pecador vivo por causa do ódio e da ira em seu coração. O outro modo é conhecer melhor a Deus, confiar no Seu amor. Quanto mais confiarmos no Seu amor, mais liberto seremos dos desejos que nos consomem. É só confiando em Jesus que alguém pode vivenciar a autêntica liberdade.
Não conquistamos o amor de Deus vivendo de acordo com Seus padrões. Encontramos Seu amor nos lugares mais inusitados. À medida que permitirmos que Ele nos ame e entendermos como retribuir Seu amor, veremos que nossas vidas se transformarão nessa relação.
Na parábola, Jesus nos mostra que um homem que quase nunca violou a lista de maus comportamentos morais pode estar tão perdido espiritualmente quanto o mais devasso e imoral dos homens, porque o pecado consiste não apenas em quebrar as regras, mas também em se colocar no lugar de Deus, como Salvador, Senhor e Juiz.                                                                              

A principal mensagem da parábola é que, enquanto o filho mais novo sabia que estava alienado do pai, o filho mais velho não sabia. E é por isso que a perdição do filho mais velho é tão perigosa. Quando você sabe que está doente, procura um médico; mas se não sabe que está, você não procura. Simplesmente morre.                    

E apenas quando enxergamos o desejo que temos de ser nosso próprio Senhor e Salvador - que se esconde sob nossos pecados e sob nossa bondade moral - que estaremos prestes a compreender o evangelho e, de fato, nos tornamos um cristão.  

A salvação é pela graça, mas não de graça. A misericórdia e o perdão devem ser gratuitos, e não merecidos, pelo transgressor. Se o transgressor tem de fazer algo para merecê-los, então não se trata de perdão. O perdão sempre tem um custo para a pessoa que o concede.


Nosso irmão mais velho, Jesus, assumiu e pagou nossa dívida, na cruz, em nosso lugar.                                                                                                                                                                                    
E, a despeito da crítica às instituições religiosas, evitá-las por estarem cheias de irmãos mais velhos não passa de outra forma e farisaísmo. Não há maneira de crescer espiritualmente que não esteja ligada a um profundo envolvimento com outros fiéis. As escrituras nos encorajam a sermos devotados uns aos outros, independentemente de qualquer instituição. Jesus deu a entender que sempre que duas ou três pessoas se reunirem em Seu nome Ele estará entre elas.                                                            
Hoje não precisamos mais ficar falando sobre a Igreja. Precisamos é de gente preparada para viver a realidade dela.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                         
"Igreja" é uma palavra que não identifica um local ou uma instituição. Ela descreve um povo e como os membros desse povo se relacionam uns com os outros. Quando se perde isso de vista, nossa compreensão da Igreja fica distorcida e deixamos de usufruir a alegria que ela pode nos dar. Assim, corremos o sério perigo de permanecer na casa do Pai, mas não necessariamente estar com Ele.

Mas, depois de compreendermos o verdadeiro amor de Deus e o trabalho de Jesus Cristo,  que possamos, por fim, dizer como C. S. Lewis:
"Eu creio no Cristianismo tal como creio que o Sol nasceu, não apenas porque o vejo mas porque através dele eu vejo todas as outras coisas."                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                              
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                       

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Consumo colaborativo avança no Brasil

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Por: Celia Rosemblum
Economia compartilhada ou consumo colaborativo são conceitos relativamente novos, ainda distantes da popularização. Mas já fazem parte do dia a dia. Quem adota o “desapego” – trocar, alugar, compartilhar, emprestar ou comprar usado de outros consumidores, ao invés de pagar por algo novo ou exclusivo – é, ainda que de forma não consciente, adepto dessas práticas que começam a ganhar musculatura.
“É claro que compartilhamento e colaboração são tão velhos como a sociedade, mas não dessa forma, entre desconhecidos ou pessoas que já não se conheciam a priori”, diz Fabián Echegaray, diretor-geral da consultoria Market Analysis, responsável pela pesquisa “Radar de Consumo Colaborativo”, que chega este ano à segunda edição.
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A familiaridade dos brasileiros com as noções e práticas de consumo colaborativo e economia compartilhada evoluiu de 20% para 26% da população urbana nos últimos dois anos. Segundo a pesquisa, três em cada dez pessoas que têm claro o conceito praticam o consumo colaborativo. A experiência, porém, ainda é restrita aos mais informados, conectados e integrados ao mercado, revelam os dados colhidos junto a 810 pessoas, de nove regiões metropolitanas, entre 20 de março e 19 de abril.
O estudo, que reflete a demanda potencial dos consumidores, explica Echegaray, aponta como mais promissores os negócios de mobilidade/transporte – caronas ou aluguel de deslocamentos como o Uber -, com 62% de alta probabilidade de adoção, seguidos por modos de compartilhamento de eletroeletrônicos (locação ou aquisição de usados ao invés da compra de um novo) e livros, também com trocas e aluguel.
A trajetória da OLX, a primeira marca a ser citada de forma espontânea pelos entrevistados em associação com a economia compartilhada, reflete o avanço desse mercado. Em 2011, quando o site de compras e vendas on-line iniciou as operações no Brasil, veiculava 3 mil anúncios por dia. Hoje são 500 mil, que atraem 40 milhões de usuários por mês e geram 2 milhões de vendas no mesmo período. “Não existia o hábito de a pessoa física entrar na internet e vender on-line. Estamos construindo isso ainda, pode crescer muito mais”, diz Andries Oudshoorn, CEO da OLX Brasil.
O território verde-amarelo é fértil para empresas como OLX, Uber, Mercado Livre, Cabify, entre outras, por um motivo aparentemente paradoxal: os brasileiros não confiam nas pessoas. É um “grau de desconfiança interpessoal altíssimo, que existe há décadas”, afirma Echegaray. Segundo a edição 2010-2014 do World Value Survey, apenas 7,1% dos brasileiros acreditam que podem confiar na maioria das pessoas. Entre os suecos, são 60,1%. Na média dos países pesquisados, o índice é de 30,8%.
Essa desconfiança está na base de uma versão mais comercial e menos comunitária do consumo compartilhado no país. As empresas atuam de alguma forma como garantidoras das transações, explica o diretor da Market Analysis. Em outros países, a resistência a elas é maior.
O potencial do mercado é alto. Hoje, no Brasil, a prática consciente está limitada a 8% da população. “Existe uma tendência mundial de crescimento do consumo colaborativo, que começou um pouco antes na Europa e nos EUA”, diz Oudshoorn, da OLX. Uma pesquisa feita pela empresa com o Ibope, no ano passado, constatou que 90% dos brasileiros possuem em casa diferentes objetos para vender, com valor médio de R$ 4 mil. “O modelo casa com o brasileiro, que gosta de empreender”, afirma.
A crise econômica acelera uma tendência que já existia: “Ela traz mais consciência da oportunidade de gerar renda com produtos que não se usa mais, de contribuir para a economia da família”, diz o executivo. A OLX faturou R$ 99 milhões em 2016, computou aumento de 90% no número de transações e registrou nesse ano um “crescimento forte”, que Oudshoorn prefere não detalhar.
Mas o que é bom para os negócios talvez não seja o melhor para o movimento de consumo colaborativo em seu sentido original. A atuação forte de empresas pode limitar o entusiasmo de quem identifica a economia compartilhada como uma alternativa mais sustentável e socialmente inclusiva de consumo. “Mas, hoje, parece ser a maneira como o novo movimento conseguiria ganhar escala e perdurar”, diz Echegaray.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Mudando vidas através da leitura – Avast para Bookshare

Nós adoramos o Brasil. E não é só por causa das praias e das caipirinhas, que também apreciamos bastante. O Brazil tem uma vibração especial e é um país que sempre nos acolhe de braços abertos.
Em 2013 tivemos o primeiro programa Startup Pirates no país, em Curitiba. Seguiram-se mais dois. O Ismael Pereira é um dos Piratas que tivemos a sorte de receber num destes programas.
Depois de participar, ele desenvolveu o seu projeto: Bookshare – uma plataforma para partilha de livros que pretende acordar o interesse pela leitura.
Warren Buffett diz que passa 80% do seu dia a ler. Se ler é um forte hábito de uma pessoa que é consistentemente considerada como uma das mais ricas do mundo, este deve ser um bom hábito, certo?
Ismael acredita verdadeiramente no poder da leitura e na necessidade da democratização do acesso aos livros:
“Foi por acreditar que as pessoas podem se transformar através da leitura de livros que idealizei o Bookshare. O principal objetivo é despertar o interesse pela leitura.”
Resumindo, o Bookshare é um portal interativo e amigável em forma de rede social, que permite cadastrar e emprestar seus livros e pedir outros emprestados, fazendo os livros circularem mais e serem lidos gratuitamente por mais pessoas.
Durante o Startup Pirates Curitiba, o Ismael tirou o melhor partido das sessões com os mentores, dos workshops e do networking. Ele continua ainda em contato com muitas das pessoas. Mas o que aconteceu depois do programa? O Ismael começou desenvolvendo a plataforma que lançou no inicio desse ano, 4 meses após o programa.
O mercado mundial de compartilhamento vale milhares de milhões de dólares e é uma tendência irreversível. Várias análises de mercado e artigos publicados indicam que os leitores preferem ler os livros em versão analógica do que na digital.
O Bookshare é alimentado pela partilha, não apenas a plataforma, mas também o projeto por si. A rede de contatos tem sido essencial para o seu desenvolvimento. Ismael tem vindo a tirar partido do tempo e do conhecimento de muitas pessoas que acreditam no seu projeto.
Como qualquer plataforma que vive dos seus usuários, o maior desafio é angariar estes usuários, seguido do desafio logístico das pessoas terem de se encontrar presencialmente para entregar os livros.
A equipa tem agora 5 pessoas, espalhadas entre o Brasil e a Argentina. Com três línguas de trabalho (Português, Espanhol e Inglês), alguns desencontros na comunicação são inevitáveis. Mas são os desafios de um mercado global.
Até ao momento, Ismael investiu o seu próprio dinheiro, mas procura agora investimento para chegar a novos mercados. E esse é o próximo passo: construir a app para mobile e disponibilizar o Bookshare em países de língua inglesa e espanhola, para além dos países de língua portuguesa. Em 5 anos, o Bookshare terá de ser a referência quando o assunto for livro, cultura e consumo colaborativo.
Que conselho deixa o Ismael a quem pense participar num Startup Pirates?
“Não pense duas vezes. O programa de imersão é fantástico e abre a mente para diversas possibilidades que antes não sabia existir. O networking é um dos pontos altos do programa, além do excelente conteúdo. O almoço e coffee break são imperdíveis. Mas acima de tudo, a oportunidade de crescimento pessoal e profissional é o principal diferencial.”

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Dinheirama Entrevista: Ismael Santos, Fundador do Bookshare


Confira a entrevista que o Dinheirama fez com Ismael Santos, fundador do Bookshare, uma plataforma para troca de livros capazes de mudarem sua vida.

Ah, como é bom e importante ler. A leitura nos transporta para histórias, momentos e pontos de vista diferentes e nos permite aprender com o aprendizado do outro (o autor). A leitura é um dos hábitos mais fascinantes e relevantes para quem deseja se destacar na vida e na carreira.

Você lê muito? Já pensou poder emprestar e pegar emprestado livros capazes de mudar sua vida? O empreendedor Ismael Santos criou o Bookshare.com.br, uma plataforma gratuita que ajuda neste sentido.

Amante da leitura, entusiasta das redes sociais e consumo colaborativo, Ismael é empresário, empreendedor e idealizador do Bookshare, graduando em Administração de Empresas e sócio da Intelecto Contact Center.

Ismael tem vasta experiência em gestão de equipes comerciais, recursos humanos e tecnologia da informação, com passagens por empresas como Condor Supercenter, Hugo Cini S/A, Employer Organização de Recursos Humanos e TLD Teledata Tecnologia em Conectividade.

Confira como foi nossa conversa:

Ismael, sempre insistimos no Dinheirama que ler é um hábito que pode criar muitas oportunidades, independente da área de atuação e nível de conhecimento. Você concorda? O que pensa sobre isso?

Ismael Santos: Concordo. As pessoas podem se transformar através da leitura de livros. A constatação é do pós-doutor Ezequiel Theodoro da Silva, professor da Unicamp (SP), que dedicou seus anos de estudo à temática da leitura. Ele diz que uma biblioteca amplia a visão do mundo e as fronteiras de participação dentro da própria comunidade.

“Acho que um acervo leva com ele a esperança de fazer as pessoas se movimentarem para outros lugares”, afirma Ezequiel. “O livro é o mestre dos mestres. Ele contém possibilidades. Mas sozinho é morto. Quem dá vida para ele é o leitor”, completa ainda em seus trabalhos.
Além disso, 2015 será o ano da leitura. Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, decidiu ler 1 livro a cada 15 dias em 2015. E, recentemente, a Endeavor publicou um artigo chamado “10 Tendências de Consumo e Inovação para 2015″, onde uma das tendências, Bright is Beautiful, é a do incentivo à leitura:

“Ajude a alimentar o amor pelo conhecimento como status. O que isso significa para as marcas em 2015? Além de integrar o aprendizado e experiências literárias ao dia a dia dos consumidores, pense como você pode ajudar os consumidores a expressar (ou exibir) seus conhecimentos. Você pode ajudá-los a fazer isso via redes sociais? Na América Latina, as pessoas gastam mais tempo nelas do que em qualquer outro lugar do mundo, em torno de 8.67 horas por mês (comScore, julho de 2014). E se a oportunidade estiver no universo offline? Até mesmo um par de jeans pode ser usado para exibir o amor pela literatura.”

Com o surgimento dos dispositivos digitais e da Internet, um volume muito maior de conteúdo passou a ser produzido. Você acha isso positivo? Como aproveitar esta mudança e que armadilhas devemos evitar?

I.S.: Como já disse o CEO da Penguin, Markus Dohle, um dos editores mais poderosos do mundo: “A relação entre o impresso e o digital é uma soma, são os dois, não é uma questão de um ou de outro”.

No Brasil, a tecnologia digital não parece tão promissora quando o assunto são os livros, revistas e jornais. Um dos principais obstáculos para a adoção em massa do e-book (livro digital) pode estar ligado à profunda afeição que as pessoas possuem pelo livro tradicional de papel.

Na Inglaterra testemunha-se um movimento similar: enquanto as vendas de livros impressos aumentam, as vendas de Kindle caem. O cenário vai ao encontro de uma pesquisa da Nielsen, de 2014, que afirma que 67% dos livros comercializados nos EUA são impressos.

Outro dado curioso divulgado pela Nielsen, em dezembro passado, é de que os adolescentes heavy users de novas tecnologias preferem os livros impressos aos e-books. A razão: os jovens costumam emprestar livros aos seus amigos, algo que normalmente é mais fácil de fazer com exemplares impressos.

Aproveitando sua paixão pela leitura, quais foram os 5 livros que mais impactaram sua vida? Por quê?

I.S.: Essa é uma ótima pergunta, vou resumir abaixo os cinco livros que mais mudaram minha vida:

Livro Made in America

Este livro conta a biografia de Sam Walton, fundador do Walmart. O livro foi escrito em primeira pessoa e contém diversas fotos e narrativas que relatam o começo árduo e, talvez para muitos, improvável sucesso de Sam Walton quando da fundação da maior companhia de varejo do mundo.

É impossível não se emocionar, tampouco não se inspirar com os depoimentos das dificuldades e lutas para transformar o Walmart no que é hoje. Quando Sam Walton faleceu, em 1995, o Walmart faturava 50 bilhões de dólares e a sua atuação estava restrita aos EUA.

Atualmente, a companhia está presente no mundo todo e faturou em 2014 não menos que 400 bilhões de dólares. A reverência que os empregados têm para com o fundador é ímpar. Boa parte da governança que impera na companhia hoje em dia é resquício dos valores incutidos pelo fundador.

Em resumo, após ler este livro é impossível o leitor não sentir uma dose de ânimo extra para tirar do papel toda e qualquer ideia de negócio, por mais arriscada que seja. Ah, quando fundou ou Walmart, Sam Walton já estava na “terceira idade”. Outra característica louvável foi de que ele soube que era o homem mais rico do mundo pelos jornais, tamanha despreocupação com a questão financeira. Seu foco era o cliente.

Livro Subliminar

Se você acha que a decisão de se casar teve como fundamento o amor, é provável que pense melhor depois de ler este livro. Por trás do pensamento consciente age uma parte desconhecida de sua mente. Esta parte desconhecida influencia na escolha do parceiro, na compra de um vinho e até de um par de meias.

As experiências relatadas no livro são fenomenais. A que mais me chamou a atenção foi a experiência que fizeram com a Coca-Cola e a Pepsi: dois grupos foram formados, sendo um totalmente normal e outro com uma lesão numa região do cérebro que afeta a nossa opinião com base nas marcas.

Ambos os grupos provaram as bebidas sem rótulo e classificaram a Pepsi como mais saborosa. Quando revelado que elegeram a Pepsi, o grupo normal mudou de ideia. Já o grupo que tinha a lesão, manteve a escolha.

Livro Freakonomics

Na mesma linha de Subliminar, os autores contestam o senso comum. O exemplo mais marcante foi o de um partido político que gritava aos quatro ventos que as ações propostas por seus candidatos eleitos reduziram a criminalidade numa cidade americana nos últimos 20 anos. Os autores provaram que a redução da criminalidade se deu pelo fato de o aborto ter sido permitido 20 anos antes.

Livro A Quinta Disciplina

Este livro me marcou profundamente por dois motivos: primeiro porque eu sempre quis lê-lo, mas não tinha coragem de comprá-lo porque era muito caro. Então, conheci uma pessoa em um evento e na troca de cartões ela comentou que precisava criar um website para apresentar os seus serviços. Eu me dispus a ajudá-la e como foi algo simples, não cobrei nada.

Então, em retribuição, esta pessoa me presenteou com este livro; quando perguntei o que a motivou a comprar este título, ela disse que “era a minha cara”. O outro motivo é que o livro ajuda no desenvolvimento do pensamento sistêmico (quinta disciplina).


Melhor livro que li na vida sobre gestão de pessoas. Os autores relacionam cinco estágios, que vão desde “A vida é uma droga” até “A vida é ótima”, sendo que no primeiro se concentram pelo menos 2% dos profissionais americanos e, no último, menos de 2% das culturas tribais do local de trabalho.

A gigante de biotecnologia Amgen adiou a publicação do livro por quase cinco anos. É que, no início da década de 1990, os autores só conheciam os estágios tribais 1 a 4 e tinham uma quantidade enorme de exemplos de cada um. Acreditavam que a linguagem “nós somos ótimos” do Estágio 4 era o topo da montanha.

Mas, graças à Amgen, tudo virou de cabeça para baixo, adiando a publicação do livro. Segundo os autores, a descoberta valeu a espera. Ao entrarem na Amgen na década de 1990 e perguntar quem eram seus competidores, eles esperavam que citassem a Genentech (outra empresa de biotecnologia) ou talvez – se as pessoas fossem ambiciosas – a Pfizer.

“Estamos competindo com o câncer”, foi o que ouviram dos funcionários da Amgen. As mesmas pessoas prosseguiram dizendo: “Talvez [nosso competidor] seja a doença inflamatória, como a artrite. A obesidade. O Parkinson”. Os autores ficaram estarrecidos, porque o modelo dos quatro estágios não podia explicar o que estavam ouvindo.

O mais profundo ainda foi ouvir: “Podemos estar competindo com a morte prematura – a doença humana. Suponho que não estamos realmente visando à fome ou à guerra”. Para piorar a situação deles, não viram qualquer evidência de orgulho tribal. Nenhum gosto de vitória, nenhuma bandeira “Somos o Número 1″. Neste estágio, não é que os competidores não existam; é que eles não importam.

Recentemente, escrevi um artigo sobre o livro, depois de ler uma matéria intitulada “Nosso maior concorrente é o dinheiro”. Esta frase foi dita por ninguém menos que o presidente da Mastercard. Nas palavras do executivo, ele (o dinheiro) pode ser facilmente roubado, ocupar muito espaço no bolso e até transmitir doenças. Mas, ainda assim, o dinheiro continua sendo, de longe, o meio de pagamento mais usado pelos brasileiros.

Pensando em facilitar o intercâmbio de livros (e aprendizado), você criou a plataforma Bookshare. Conte-nos um pouco sobre a ideia e seu funcionamento.

I.S.: O www.bookshare.com.br faz uso da tecnologia sem alterar a essência que é sentir o prazer de folhear cada página de um livro. Trata-se de um portal interativo e amigável, em forma de rede social, que permite cadastrar e emprestar seus livros e pedir outros emprestados, fazendo os livros circularem mais e serem lidos gratuitamente por mais pessoas. O sistema controla os empréstimos enviando alertas para todos os envolvidos sobre os prazos de devolução.

Qualquer um pode emprestar seus livros e também pegar emprestado livros de outros usuários? Existe alguma regra para estas operações? Como fica a questão do envio, cuidado com o livro e devolução?

I.S.: No seu perfil, o leitor cria seu próprio espaço literário, monta uma estante de livros (basta informar o ISBN ou parte do título que o sistema completa automaticamente o título, ISBN, autor, editora e foto) e forma sua rede, convidando pessoas para participar.
Os leitores podem emprestar seus próprios livros, sob sua responsabilidade e risco, assim como emprestar e devolver livros de outros usuários, sob pena de ser excluído do portal e indicado como “não confiável” quando descumprir as regras de devolução.
Cada leitor terá até 30 dias para devolver o livro, que obrigatoriamente deve ser entregue para que a pessoa que emprestou confirme a entrega e o livro fique novamente disponível para empréstimo. Neste momento, quem emprestou e quem tomou emprestado devem avaliar como foi a experiência, de modo que quanto mais avaliações positivas um leitor tem, maiores serão as chances de emprestar livros, inclusive de desconhecidos. Neste caso, recomendamos fortemente que o encontro seja feito em local público e seguro.

Ismael, obrigado pela participação. Por favor deixe uma mensagem final para os leitores que queiram fazer contato com você e também tirar proveito dos benefícios da leitura. Até a próxima.

I.S.: Eu que agradeço a oportunidade. Além de despertar o interesse pela leitura, acredito estar dando um passo importante na consciência do consumo colaborativo, bem como possibilitando o acesso de pessoas que não tem condições para comprar os livros – acabar com o “No Brasil se lê pouco porque o livro é caro e o livro é caro porque se lê pouco”.
Na verdade, diante do quadro de carência da população brasileira seria razoável triplicarmos as compras governamentais só para darmos a nossos estudantes o suprimento médio de livro fornecido aos estudantes chineses, por exemplo.

Além disso, no futuro, palavras como “consumo” e “compra” serão substituídas por “compartilhamento” e “troca”. O mercado mundial de compartilhamento ultrapassa os US$ 100 bilhões por ano. É uma tendência irreversível. No livro “Mesh – Por que o Futuro dos Negócios é Compartilhar”, a autora Lisa Gansky defende a tese de que a colaboração entre empreendedores, fornecedores e consumidores irá definir o futuro da economia.
Acredito também que a experiência da leitura é única. Desta forma, existe um grande apego ao livro. Conhecemos pessoas que escrevem na contracapa dos livros o momento em que elas estavam vivendo quando os adquiriu. Por isso, talvez a “onda do desapego” (deixar o livro para quem quer ler e não se preocupar com o retorno) não seja tão aderente quando o assunto é livro. Penso que o que mais se aproxima é a ideia de consumo 
colaborativo.

Assim, não esqueça o seu livro, ele pode ser importante para outras pessoas. Cadastre-o no www.bookshare.com.br e venha junto comigo transformar o mundo em uma grande biblioteca. Obrigado e até mais.

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